sábado, 10 de outubro de 2026

Escrever é um ato revolucionário !!!

 




 Quando abrimos nosso coração, o que encontramos dentro dele?

Me pergunto muitas vezes o que escondo dentro de mim , o que ninguém percebe dentro de mim?

Todos nós temos pensamentos íntimos, divergências que carregamos dentro de nós, e são essas construções mentais que nos trazem para a vida, pequenas questões que nos mantém firmes em nossas afirmações.

Sim, estar politicamente engajada me deixa próxima ao que acredito.

São as nossas ideias que nos colocam nas bolhas sociais, talvez eu esteja sendo persistente nas minhas opiniões, mas pensando bem...

Não é porque eu não estudei numa universidade federal que eu não vou lutar por elas, não é porque eu não recebo bolsa família que não vou lutar por ela, não é porque eu tenho plano de saúde que eu não vou lutar pelo SUS, ou pela farmácia popular e outras tantas políticas públicas, eu sou humana, sou mãe e sou lutadora todos os dias, é por todos nós que nos envolvemos em trabalhos como voluntária.

Escrevo desde que me conheço alfabetizada, e estou aqui para falar sobre as mulheres da minha vida.

Minha avó paterna era negra, nordestina, pobre , meu avó morreu soterrado na empresa onde trabalhava, a CBMM, onde meu pai trabalhou e se aposentou, a minha avó materna tinha dez filhos, a minha mãe é a filha caçula, quando ela morreu , eu era bem pequena, foi minha mãe que a ensinou a ler e escrever, hoje é minha mentora espiritual, e me orgulho muito delas.

Quando eu passei por meus problemas mais sérios, eu escrevi, eu falei , eu me expressei mas quase ninguém acreditou, eu precisei escrever um livro infantil sobre violência infantil para exemplificar a situações de muitas mulheres que passam por uma violência, esta que acontece em nossos lares, em nossas escolas, em nossos trabalhos, a vida nos mostra através da história dos outros temas dos quais desconhecemos intimamente.

A democracia é um bem do qual nos dá liberdade de pensar , refletir e agir em a nossa sociedade e podemos escolher os nossos representantes, mas estamos passando por um perigo de perdermos esse bem, é através da eleição presidencial que vamos dar rumo ao Brasil e pasmem, o cenário não é bom, já que o candidato Flavio Bolsonaro já se mostra antidemocrático, entre outros eleitos que já demostraram serem nazistas, sendo eles racistas, homofóbicos, machistas, mulheres antifeministas, mas o que me preocupa é o número considerável de pessoas que pensam como eles, o que posso declarar, é que lutar pelas ações sociais, é uma questão de sobrevivência.

Quando um ato antidemocrático existe, são os escritores, artistas, mulheres, crianças, idosos os primeiros a serem calados e torturados pelo silenciar, mas não é um silêncio provido do pensamento , é um silêncio para o não pensar, o não falar e o não se expressar.

Escrever é um ato revolucionário, já não basta vivenciar os horrores , é preciso eternizar pelas nossas escritas.

Ser otimista dentro desse cenário político é abalado, mas às vezes é preciso sofrer para perceber a importância do amor e do cuidado uns com os outros, mas será que o Brasil ainda não aprendeu com a própria história?

Pelo que percebemos não, é preciso vivenciar a tempestade para valorizar os dias de sol, e se assim for, que aceitemos as leis divinas para que o bem retorne aos nossos pensamentos.

Hoje já não é ignorância, é uma questão de moral, são racistas não declarados, homofóbicos , machistas que se escondem atrás de políticos com suas ideias semelhantes, logo, o Brasil está num período sombrio, então, eu escrevo, eu luto pela liberdade de escrever, e assim será sempre.


Um dia de fada, é um livro infantil sobre violência, e não estamos vivendo o aumento de feminicídio à toa, é a estrutura violenta que aflora a cada palavra de alguém que acredita que o ato violento é um direito de ser, mas não é assim que se vive o amor não é?



Trabalho numa escola pública, as crianças replicam a violência vindas e aprendida em seus lares, e não vou esconder a minha revolta em normalizar esse ato violento.

Eu vejo o racismo aprendido, a homofobia crescente, o machismo crescente e isso não é fácil, porque cresce a violência e tende a perpetuar, porque as futuras gerações já estão vivendo essa violência.

Um exemplo vivido essa semana : Uma criança de três anos, chegou chorando na sala de aula, o pai agiu com violência contra sua mãe, ela sentiu na pele a violência doméstica, e o que sentir depois disso, além de uma revolta que não consigo processar dentro de mim, o que me resta na educação, senão incentivar essa criança, menina, negra a se amar, a se respeitar e aceitar os outros como são ?

Diante das dificuldades agimos conforme os nossos pensamentos, emoções e sensações que nos revelam, a nossa atitude diária diante de uma situação estão em concordância com o que pensamos e agimos de acordo com as nossas possibilidades, ou agimos com piedade ou agimos com crueldade e pergunto a você? Como age diante de um ato de violência?

Por isso sempre escreverei sobre a violência e escrever é um ato revolucionário, educar é um ato revolucionário, ler é uma ato revolucionário e me expressar é um ato revolucionário, a omissão, estar ensina do muro sempre te coloca do lado do opressor, porque o silêncio nesse momento, é um aval para seu ato violento. 

Enquanto pudermos usar a nossa voz para celebrar o bem, usaremos, enquanto puder pensar livremente, me expressar, vou estar sempre do lado esquerdo, aonde vive e pulsa meus coração.

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