sábado, 23 de maio de 2026

UM DIA DE FADA - Livro infantil sobre violência doméstica de autoria de Marina Lúcia Bernardes Paula

 


Um livro para falar de amor, de um amor que transforma e nos fazem refletir sobre quem somos.

Quando a violência chega no ambiente familiar, escolar é sinal de que a estrutura está bem construída e ganha apoio dos que servem para proteger.

Há alguns anos atrás eu havia testemunhado uma mensagem de um pedófilo, que apressou a minha publicação de UM DIA DE FADA.

Quando uma criança sofre um abuso sexual , ela  também é violentada psicologicamente, porque na infância está todas as nossas marcas mais íntimas, muitas crianças não se lembram de seus agressores porque o seu cérebro a protege contra o caos, então, esse trauma é carregado com ela ao longo da vida, quer dizer, vem gradualmente em memórias e em reações que vem a tona a medida que o corpo ganha consciência.

A violência é estrutural e lutar contra ela pode ser comparada há uma luta contra um gigante, assim como o racismo, homofobia a violência ganha novos nomes.

Numa epidemia que ganha os holofotes nas redes sociais, a violência ganha novos alvos, novas formas de xingamentos, e uma comoção se agiganta, é a sensação de que as questões sociais precisam serem repensadas para entendermos como podemos resolver um problema que vemos crescer e desumanizar  as mulheres, e cá entre nós, não é nenhuma novidade, mas com um agravante, estamos vivendo numa era digital, onde as pessoas priorizam o imediatismo, onde as pessoas não conseguem lidar com suas questões íntimas e não compreendem de onde vêm, daí se deixam influenciar por Pseudo-psicoterapeutas para ajudarem na reorganização de uma sociedade com grandes problemas sociais, sobretudo as famílias que são agredidas sistematicamente , com a ideia de salvarem as famílias, não há salvação com essa neblina que encobre os nossos próprios erros enquanto uma sociedade pobre de cuidados e de respeito, não há como cuidar uns dos outros sem um olhar sincero e profundo sobre de como estamos vivendo.

Na literatura infantil há um repertório de histórias que aceitavam a normalidade da violência, a normalidade nas músicas infantis, o que provocou a continuidade da violência , num ciclo vicioso, essa violência estrutural não dissolve atos revolucionários e nem as ideias que possam ajudar nessa ressignificação interna que precisamos sofrer, ao longo de nossa civilização estamos acorrentados às ideias limitantes, à preconceitos e ao machismo, porque queremos sobreviver.

É por isso que a explosão de documentários, de séries que nos ajudam a rever conceitos, a nos aproximarmos mais da verdadeira sociedade que vivemos se torna necessário, porque sem essa conscientização estaremos ainda cegos.

UM DIA DE FADA , não é um conto comum, é uma história que retrata um conflito familiar muito comum em diversas famílias e de como a nossa fada se transformou numa fada poderosa, porque nos colocamos em seu lugar para percebermos o quanto nós somos seres que se transformam.

Quando escrevemos uma história , nos conectamos com quem somos, e nossos olhares refletem na história e os leitores a compreendem como se nos compreendessem.

O fato de ter vivido uma violência doméstica me coloca numa posição de fala , que é esse lugar que nos destaca para que possamos servir de exemplo, nós nos revelamos para que outras mulheres se revelam e se tornem também mulheres que ajudam outras mulheres, portanto, uma história infantil sobre violência não é só um livro de apoio que vá auxiliar educadores e familiares, mas as crianças que vivem uma situação de violência e merecem total atenção e cuidado.


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