Um mundo onde as mulheres são inimigas, os homens a odeiam as mulheres, nesse lugar onde a dor é no coração e não há outro lugar seguro, a não ser dentro de si mesmo.
Uma série que anda me comovendo, já estou desidratada de tanto chorar.
Já estou na terceira temporada, e já me sinto a protagonista, mas o que me prende à série é o roteiro brilhante, a fotografia impecável, e a semelhança brutal com a realidade que não queremos enxergar no mundo machista, um governo fundamentalista toma o poder, a intolerância é a lei e acabamos nos envolvendo numa filosofia de sobrevivência, é gritante o silêncio.
Sim , o silêncio de uma Aia grita dentro de nós, porque há um incômodo, há um retrocesso que podemos compará-lo ao Talibã, que ignora e desumaniza a mulher, o fato é simples, a série veio em boa hora, quando há um crescente número de violência contra as mulheres, crianças e adolescentes, a visibilidade desses absurdos nos servem de reflexão, aonde não podemos entrar é onde nós tentamos entender.
Quando nos aproximamos das nossas dores, nos entendemos e nos posicionamos porque crescer , dói.
Crescer dói porque nos encontramos profundamente com algo que nos coloca em nossas próprias verdades, as nossas sombras, e buscamos o melhor dentro de nós, fazendo sobressair o que nos alegra e nos tornam amorosos com a gente mesmo, porque para nos amar, é preciso autoconhecimento, e auto perdão, é esse processo de cura que nos fazem aprimorar, quem somos hoje, não seremos o mesmo amanhã, e nem fomos os mesmos bem antes de ontem, mudamos porque necessitamos de mudanças, as nossas expectativas mudam, assim como as nossas metas.
Numa série onde mulheres são mutiladas fisicamente, moralmente e psicologicamente, nos aproximamos delas por empatia, nos aproximamos porque somos sabedoras dos sentimentos comuns.
O amor materno, a força que precisamos para superar as diversidades é o que torna a série incrível, essa força feminina que conhecemos dentro de nós , a reconhecemos na série.
Não é só um material de estudo grandioso, é a possibilidade de nos apegarmos ao que somos e nos ajudarmos, a nos solidarizarmos com outras mulheres, é o que nos fazem unidas, é a nossa sororidade.
O feminismo se encontra onde não há lugar de fala, onde falta direitos e onde é preciso resistência e luta, quando estamos prontas , quando conhecemos a nossa história, reconhecemos nela, a nossa força, a nossa coragem e sobretudo o nosso ideal.
O feminismo é um movimento que agrega, portanto, quem ama mulheres, quem educa mulheres, lutam por elas, O conto de Aia, é uma ótima história para nos mantermos fiéis ao que somos!!!
Esta obra é uma inspiração para dar continuidade às histórias de UM DIA DE FADA, é um sopro de literatura para que eu possa fazer das minhas histórias , boas histórias...
UM DIA DE FADA, é uma história infantil para educar crianças, sobre um tema tenso e denso como a violência doméstica, para reflexões que nos levam à atos de bondade, perdão e perseverança.


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