Na infância construímos estrelas, inventamos planetas e habitamos outros mundos.
Um dia, uma boneca fala, e a gente conversa com ela.
Um dia as imagens de livros ganham vida.
E conversamos baixinho com seres que acreditamos existirem.
E existem!!!
A mente não mente, ela cria e se renova sempre.
Na infância , tudo é perfeito, porque inventamos diálogos com deuses, magos, seres místicos.
Eles existem... Dentro e fora de nós.
A infância deseja e espera.
Os olhares curiosos são aumentados com binóculos.
As palavras se tornam frases e grandes histórias.
Porque a fantasia, não é vendido no mercado.
Ela habita corações corajosos.
Mas um adulto vira vilão, vira a casa de cabeça para baixo.
Faz terremoto, e mata os seres que nasceram para serem mágicos.
Desfazem sonhos infantis.
Mas as memórias infantis não morrem.
Renascem em livros e transbordam em outras mentes.
Que querem crescer e transformam-se criando outras memórias.
Daí... o que era para deixar de ser.
Simplesmente permanece.
Dentro de escritores audaciosos.
É que para ser criança...
É só querer passar mais tempo.
Criando dentro de si, os sonhos, os seres mágicos, os encontros sutis .
Com os seres que nos ensinaram o dom da paciência, a energia de sermos nós mesmos.
Sem medo de parecermos ridículos.
No fundo, nunca deixamos de sermos crianças.
É que o corpo só cresceu.
Viveu e construiu tantas memórias, que o tempo parece ter comido todas as lembranças.
Mas a gente acaba escrevendo elas num diário fechado com cadeado.
Que é para a fantasia não sair correndo.
Só isso!!!
Texto criado para as aulas de escrita criativa com Bernardos Lopes!!!

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