Os filhos crescem mas esse não é o fim da maternidade.
Quando os filhos ainda são pequenos acreditamos que os cuidados precisam ser intensos, que o nosso tempo vai ser reduzido, a nossa rotina nunca vai voltar a ser a mesma, o sono, a vida muda, muda drasticamente, mas na verdade não é bem assim.
As crianças merecem todos os cuidados possíveis, a nossa vida realmente muda depois da maternidade, mas não é o fim das nossas vidas, é apenas uma rota diferente, um jeito diferente de pensar, há prioridades que não existiam antes disso, portanto, não é o fim de um ciclo, é o começar de uma história que dividimos com alguém que devemos cuidar.
Filhos são a extensão de nós, da nossa educação, do nosso pensar refletem nesses seres que abençoamos todos os dias, eles nos melhoram ou nos pioram, sim , tem como piorar sim, porque a maternidade não nos transformam apenas porque nos tornamos pais, nos transformamos quando criamos dentro de nós a ideia de novas responsabilidade, de nova etapa, mas não nos tornamos santos por isso, apenas nos mantemos mais firmes no nosso processo de maturidade, a rotina muda, tudo se enquadra nessa nova etapa , mas os nossos valores morais não mudam de uma hora para outra, porque é uma construção diária, e não é uma mudança de um dia para o outro, há processos lentos de responsabilidade e disciplina. O fato dessa transformação que indica a maternidade como um papel importante não significa que mudamos repentinamente, os nossos valores morais continuam os mesmos, é que muitas de nós escolhemos amadurecer porque entendemos que há um ser que dependem de nós , de nossas escolhas e de nossos valores que são ensinados a eles, isso é uma escolha e não uma nova vida depois da maternidade, é um processo.
Explico, a pessoa que eu sou não deixa de existir apenas porque me tornei mãe, eu apenas escolho que ações terei depois disso, as minhas falhas antes disso não se apagam, eu não me torno super mulher depois isso, porque a nossa identidade é quem somos internamente, um exemplo disso é que os nossos pensamentos sobre determinados temas não mudam facilmente, ninguém deixa de ser preconceituoso porque teve um filho, e nem deixa de ser racista por causa da maternidade, afinal, machismo, homofobia, ou qualquer tipo de preconceito ou discriminação é um ensinamento que parte dos laços familiares, dentro de nossos lares, e incentivados em todas suas relações, enfim, tudo é uma questão de vivenciar a maternidade como uma missão , outras pessoas podem não pensar da mesma forma e está tudo bem.
A maternidade tende a nos melhorar quando escolhemos sermos melhores, caso contrário, vai continuar do mesmo jeito. A maternidade não é certificado de bons antecedentes. Eu decido que tipo de mãe serei , afinal, há boas e há más mães, mas tudo é mãe...
A maternidade me trouxe um olhar mais amplo sobre tudo, porque eu decidi que preciso ser uma pessoa melhorada mesmo com as minhas indagações sobre a própria maternidade, a minha vida mudou sim, e eu me preparei para essa mudança, mas não significa que sou uma super mulher, significa que tenho uma visão mais humana, eu decidi tomar algumas decisões que me colocam numa situação específica.
A verdade é que nem sempre a maternidade vai causar grandes mudanças na vida de alguém, é só uma questão de percepção. Hoje estou bem mais tranquila, meus filhos cresceram , sinto falta da correria, da troca alucinante de fraudas, das brincadeiras que fazia enquanto meus filhos cresciam, das situações , dos questionamentos infantis, mas tenho que entender que os filhos crescem , temos outros tipos de problemas em relação à maternidade no momento em que eles se desenvolvem, crescem, sim mudou os tipos de preocupações, mas mesmo assim, ainda sou mãe, porque filhos têm suas respectivas personalidades, agora são os estudos, as amizades, os afetos e desafetos, tudo agora está em outro nível de aprendizado.
Imaginemos a vida como uma fase de um jogo, nós evoluímos e os obstáculos evoluíram também, é como acontece na vida de todos nós, agora a educação que eu dei na primeira infância toma um corpo, e as lições vão se intensificando em outros níveis, aquela preocupação intensa já não é a mesma, agora são eles que vão viver suas próprias vidas, vão assumir suas responsabilidades, vão sofrer a consequência de suas escolhas e a nossa educação estará à prova, afinal, nós educamos os nossos filhos, sabemos de suas personalidades, de seus atributos, as suas tendências, então, estão crescendo, não dá para passar a mão da cabeça deles para sempre , eles vão resolver seus próprios problemas, atenderão suas próprias necessidades e muitas vezes irão nos culpar por inúmeras coisas, mas tudo bem, a vida é contínua, a maternidade não acaba só porque cresceram, as nossas preocupações em relação a eles, são outras, logo, tudo bem eles crescerem, agora tenho que atender outras questões, outras trilhas, não há nada de errado nisso, os filhos crescem , o amor continua, o cuidado continua, mas agora eles estão prontos para viverem e conviverem com a sociedade que os inserimos. Vamos considerar o sucesso deles, também o nosso porque dedicamos a nossa vida para que eles se tornassem pessoas melhores e amorosas.
O filhos cresceram e agora?
Viver, aproveitar todas a lições, aproveitar tudo isso, e colocar no coração, no livro da vida, a maternidade não é um limite, é uma vida voltada para a criação, somos deusas, somos mulheres e devemos nos despertar para vivermos essa força linda que temos dentro de nós, somos fadas, somos bruxas, somos quem queremos ser, a natureza nos ensina que a força feminina está em tudo que há dentro de nós, somos a Terra que gere, que faz crescer o outro, é cura, é quem queremos ser e como queremos despertar no outro o amor que carregamos dentro de nós.
A maternidade não é um estado temporário, é permanente, nos preocupamos com nossos filhos em todas as fases de suas vidas, apenas não vamos mais nos responsabilizar pelas escolhas deles, podemos orientá-los mas não decidiremos por eles, e aceitando ou não, em que eles se tornaram devem a nossa educação, porque são parte de nós, são reflexo de nós mesmos, afinal, somos mães, somos pais de cada um deles, e isso não muda nunca!!!

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