domingo, 11 de outubro de 2026

Paulo freire e a literatura infantil - parte 3

 


 


A leitura da obra de Paulo Freire "Pedagogia do oprimido", o que o levou à um exílio político, a pedagogia que nos incita a nos tornarmos donos de nossos próprios pensares.

A leitura que faço desse gigante livro que nos fortalece enquanto ser humano que somos é sobre a luta diária sobre a nossa liberdade de pensar, de agir, indo de encontro à práxis.

Somos fortes quando pensamos por nós mesmos, sem interferências dos pensares que nos oprimem, a pedagogia do oprimido é exatamente uma pedagogia da liberdade de pensamento, a pedagogia que nos ensina a pensar, a buscar conhecimento sempre.

Durante a ditadura militar no Brasil nos ensinou através da pedagogia bancária, quer dizer, vão fazendo depósitos de conhecimento sem nos ensinarem a criticarem o que aprendíamos, logo, era lições decoradas, amontoados de questionários com respostas já pré-existentes, muito cômodo para os governantes da época, afinal, quem não pensa por si só, aceita com facilidade o que é sugerido pelas grandes massas, e por si pensa a grande maioria o que lhe é imposto pelo opressor...

Um exemplo da educação bancária é sobre os povos originários, na escola nos ensinaram que os indígenas não foram escravizados porque eram preguiçosos, mas fora uma mentira que foi ensinado há gerações, assim como a nossa história escravocrata, nos ensinaram que o Brasil foi descoberto, mas foi invadido pelos europeus, á existiam milhares de tribos dos povos originários, que por eles denominado Pindorama, e depois fora denominado como Brasil pelos portugueses, enfim, nos ensonaram história do Brasil através do olhar do colonizador, portanto, a nossa história está sendo agora amplamente estudada, é através dos estudos de historiadores que estamos nos redescobrindo, a contribuição da África na nossa cultura, a cultura dos povos originários que foi inserida também construindo assim a nossa própria cultura, por isso a importância da ressignificação da nossa história.

Paulo Freire se negou a negar-se e aprendemos com ele que escrever é um ato revolucionário.

A literatura infantil hoje com um espaço expandido além de Monteiro Lobato este que já é alvo de estudo enquanto obras com grande teor racista e pensamentos com foco eugenista , logo, estamos mais pensadores do que nunca, é a cultura nos levando a nos encontrar enquanto seres humanos.

A literatura infantil é uma ferramenta para a educação de nossas crianças, é por meio da literatura que podemos contribuir para uma propaganda para o pensamento crítico , criando crianças protagonistas de suas próprias histórias, é pela imersão que podemos ajudá-las na construção de suas personalidades, sejam elas mais críticas e autoestima suficientes para pensarem em si como seres em constante construção.

Trabalhar o autoconhecimento de nossas crianças contribuem para as suas ações solidárias, dissolver a violência que é replicada na educação , devemos nos atrever a pensar no outro com um olhar empático, sejamos mais pacíficos na educação, focados numa educação inclusiva.

Quando Paulo Freire nos revela a sua metodologia, ele nos ajuda a pensarmos na liberdade  com a liberdade que nos é negado por tantas gerações, na nossa luta interna e social que devemos nos afeiçoar, não há momento presente para a acomodação.

Despertemos para um mundo amplo além do que aprendemos na escola, a escola tradicional já não cabe na atualidade, é preciso repensarmos nas dinâmicas de nossas escolas, há momentos em que o pensar diferente do convencional é primordial para as mudanças que devem vir, a educação não deve ser tratada como algo como encher um recipiente, é mais do que ensinar, é ensinar a pensar.

Não podemos terceirizar a nossa educação porque a educação familiar é a primeira a ser lida pelas crianças como formadora de sua personalidade, é a educação familiar que as direcionam para valores morais e de como se comportam em seus meios sociais, é de onde gera preconceitos ,e valores que a sustentarão  suas vivências,  mas lembremos de como surgiu a educação brasileira, portanto, nós professores da educação infantil e educação básica servimos de apoio à educação familiar, logo, o educadores somos todos nós, daí a preocupação de educadores e tensão contínua para educar as crianças num caminho de amor e afeto.

A literatura infantil também se fortalece na esperança nessa educação e no crescente mercado literário, afinal, o governo federal é o maior comprador de livros infantis, portanto, um mercado abrangente.

Escrever para o público infantil é estar ciente da responsabilidade moral e social dos que estão começando se sentirem pertencentes no seu espaço familiar e escolar, ainda estão vulneráveis, a literatura infantil nutre seus pensamentos, logo, a nossa responsabilidade enquanto escritores nos coloca como colaboradores na formação de nossa sociedade e de uma geração mais crítica.

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