sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Amores infinitos!!!

 




 As coisinhas que brilham no céu , reluzentes e simples.

Deixam lembranças que cintilam e que fazem florescer.

Dizem que as estrelas são espíritos que partiram e brilham nos olhando lá de cima.

Mas são corpos celestes que assumem lugares de guias.

No fundo de um coração que já se partiu , há costuras , há reparos.

E deixamos que esses pequenos furos se dividem e então, partimos para repartir.

Dentro de cada um de nós há costuras, há centelhas que nos iluminam até que deixamos a Terra para brilhar além das estrelas.

A grande jornada do espírito começa dentro de nós, se expande na consciência .

É quando aprendemos com todas as nossas vivências que podemos ir além de nós mesmos.

Sabe aquele cheiro de terra molhada antes das chuvas.

Um pirilampo voando as pequenas flores antes de posar.

E um colibri beijando as flores amarelas que trazem boa sorte.

O zumbido de abelhas fazendo cócegas no ouvido.

Uma fruta que teima a permanecer no pé?

Tudo que sabemos colorem as nossas vidas de um jeito simples e permanecem serenas.

Uma hora qualquer tudo isso passa por nossos olhos e depois vão passeando no tempo.

Pelas nossas lembranças, pelos nossos sentimentos guardados num lugar pequeno dentro de nós.

Não trazemos para fora o que ainda precisa estar dentro.

E com todas as doses de doçura que podemos experimentar.

Há quem diga que todos somos feitos de açúcar.

Quando amores infinitos se encontram no céu das incertezas.

As perguntas que fazemos a nós mesmos, deixamos sempre outras por fazer.

E quando um brilho sair de você para clarear os  nossos amores.

Deixe uma boa lembrança em alguém que pode percorrer com você. O infinito!!!

A última tempestade

 




 Acordei de sobressalto no meio da tarde, as águas do rio sobem rapidamente,  já havia me tirado o sono dias anteriores pelo motivo que me encontro agora.

Em total desespero eu me olho diante da situação e não choro, eu apenas me pego num gesto simples de quem já sabe que vai morrer, eu oro!!!

Eu sei que no meu último momento de vida, eu vou pensar em tudo que eu vivi até aqui, me descasco em todas as minhas camadas, e só encontro o desespero.

Não há malas que eu possa carregar, nem documentos, apenas um pingo de fé no que vou encontrar depois daqui.

Não é uma situação em que eu possa pedir socorro e alguém milagrosamente aparece e me tire daqui, estou aqui pela minha própria vontade, eu moro aqui.

O rio continua a inundar a minha casa, que não fica numa colina junto com os prédios de luxo que cercam o lado oeste da cidade, é bem próximo ao rio, bem na marem direita desse rio, foi onde eu vivi boa parte da minha vida, até o final dela.

Desta vez o rio está mais violento, as chuvas não cessaram por duas semanas mas mesmo assim, não estava tão revolto como agora, e a minha esperança é olhar para o céu e buscar as estrelas ou uma faísca do sol, mas agora, o que eu vejo é senão todos os meus sonhos serem levados na correnteza ou submergirem, não que eu esteja calma, eu só aceito o fim.

Dizem que quando escalamos uma montanha  compreendemos melhor a vida,  o nosso olhar muda, uma nova percepção , uma nova roupagem, mas será possível que alguém que está no alto dessa montanha consegue me ver agora?

Arrisco um grito seco, sem a menor vontade de me debater ou criar uma expectativa contrária , eu simplesmente me entrego, afinal, não há muito o que fazer quando suas últimas horas é justamente, a hora de morrer.

Não, eu não estou sendo carregada pela negatividade, as portas e janelas estão fechadas, o telhado não chego nem perto de alcançar, eu sei que por mais que eu suba nos móveis , eu não vou conseguir sair daqui.

Meus pensamentos atravessam o desespero, me apego às lembranças, elas se agigantam nesse momento, amontoam dentro de mim, talvez seja porque eu não queria estar vivendo isso.

A minha infância foi entre o rio e as colinas que hoje habitam prédios e casas luxuosas, não muito diferente da minha, mas gosto de pensar que a vida me presenteou com a natureza, não poderia existir um lugar tão belo para viver.

Sim, vivo aqui há muito tempo, aprendi a colher os frutos do meu trabalho, aprender a tecer e viver com simplicidade não é tão ruim assim quando se agradece pelo que temos e ansiamos frutos melhores sem pressa e sem grandes ambições, eu apenas aprendi a viver aqui...

Subir em árvores, colher as flores frescas e me transportar entre as escritas , as livrarias e universidades, estudei muito , e com isso, também aprendi a ensinar...Aonde estariam meus alunos agora?

Agora..

As águas entram pelas janelas , atravessam as portas, tudo que eu tinha, eu vi correndo sorrindo entre as correntezas, elas anseiam a liberdade assim como eu, mas eu sendo um ser vivo, teimo em encontrar um lugar onde possa assentar e pedir a Deus que eu morra bem rápido.

Mas Deus, não me ouviu, é o que eu acredito agora.

Eu vejo através da janela, alguém gritando socorro, fecho os meus olhos, ela se foi, a minha oração, foi a última que ela ouviu, não posso pensar em outra coisa agora.

Pronto, a água já cobriu as janelas, são os últimos fios de luz, o meu celular ainda sobrevive com alguns minutos de bateria.

Eu não sei como isso pôde acontecer, o rio não estava tão cheio, morar por aqui tem suas vantagens, não ouvimos as buzinas e nem a correria das cidades maiores, apenas nos contentamos em ouvir pássaros, grilos, cigarras, e os bichos que queiram falar como sabem falar.

As chuvas que corriam , não chegavam a tanto, mas Deus arruma suas razões que não teimo em entender, afinal, Deus sabe bem como me sinto, então, não vou me ocupar de contrariar a Ele.

A violência das águas assombram o meu espírito, eu já não consigo alcançar o último degrau da escada que me leva ao ponto mais alto. São poucos minutos depois de ter acordado...

De novo uma onda violenta de águas turvas, barrentas, e grossas, batem na parede... é o meu ponto final.



É um sonho... Poucos minutos de uma tempestade que assombram um sonho, é um pesadelo..

Quantos de nós vivemos os nossos desastres pessoais, mergulhamos em águas profundas tentando nos entender intimamente, nos agarrando à memórias, para depois entender que tudo que vivemos são pontos de nossa história de eternidades.

Nos vemos no ponto mais alto de nossas esperanças, depois mergulhamos em lamaçais e depois sobrevivemos para atingirmos o ponto mais alto de nossa consciência, é bem comum termos que vivenciarmos novamente para entendermos a outra parte da história que ainda não emergiu.

A vida são ondas que vem e se vão  e a medida que nos aperfeiçoamos, nos tornamos mais humanos, é a tempestade íntima que nos fazem pensar em profundidades e em que ponto estamos prontos às mudanças.

O desespero de tão sobreviver a mais uma tempestade, o desprendimento à coisas supérfluas é o que nos mantém secos em tempos de tempestades.

O tempo parece rápido quando não conseguimos focar no que realmente importa, um amor, amores, vários amores  ,nos colocamos frente a frente com o passado, e tentamos retê-lo poque ainda não aprendemos com ele e então, o presente fica paralisado nesse tempo todo, o futuro simplesmente existe apenas nas mentes, nada mais.

Quando foi a última vez que se colocou diante de uma barca, num lugar tranquilo em sua mente , para poder pensar ? 

É preciso rotina para meditar, é preciso respirar um pouco mais fundo antes de afogar, é preciso nos aprofundarmos para cultivar a coragem e nos encontrarmos em nós mesmos.

Tantos outros pesadelos vivemos sem termos dormido?

Pensemos na profundidade de nossos espíritos, de quanto ainda temos que aprender para abrir as portas de uma casa a beira de uma enchente para  sobrevivermos?

Sobrevivemos quando marcamos dentro de nós a esperança e a fé, sobrevivemos quando não nos acomodamos , quando deixamos que a vida nos mostre o caminho sem desespero e atentos aos sinais.

A vida é linda demais para nos apegarmos às coisas, sentimentos que nos prender à fatos que não vão mudar de lugar, apenas precisamos aprender que tudo e todos fazem parte de todos nós, que tudo muda porque tudo se movimenta e vibra, que sobrevivemos por amor.

Quando em algum momento viver um momento difícil lembre-se que não há muito tempo para decidir se  quer morrer ou viver, apenas viva com o que tem de melhor no coração, a vida vai te levar com leveza para lugares que precisam de sua atenção e cuidado.

Se tiver de perder tempo, que seja para sentir, se aprofundar no que está vivendo sem se apegar ao egoísmo que nos cercam, a grande verdade é que a vida é tão linda para ser desperdiçada com coisas que só te levam para lugares ruins, viva com intensidade os momentos bons e ruins, aprenda com eles, reflita sobre eles, porque a vida tem seus pontos finais e sempre há outras histórias para contar.

Trabalhadores e a Padroeira do Brasil

 





 À margem... daquele lugar aonde quase ninguém vê.

Pisa firme e bate no peito, trabalha fielmente na escala seis por um.

Pronta para o jantar?

Não, está arrumando a casa que ficou mais de oito horas solitária.

Amanhã é um novo dia.

Horário de estudo minguado, horas de estudos, e poucas horas de sono.

Acordar às cinco para pegar ônibus lotado, para chegar às oito.

Merecimento, quanto tempo entre a escola online e o trabalho além dos serviços de casa.

E as horas de lazer?

Ainda não havia pensado nisso, as crianças brincam em casa com o telefone celular.

E fazem tarefas com auxílio de IA, é a precariedade da educação.

Que vai confirmando a falta de valorização do professor, feita por quem nunca estudou em escolas públicas...

 Vão dizer :Doutrinação... Já dizia Paulo Freire : A educação liberta!!!

Então, vamos estudar aos trancos e barrancos para não morrer de fome e sem saber argumentar.

É ela mesma que silenciosamente chora por não conseguir o melhor pelos seus filhos.

Mas a fé a leva à vida, sem ter motivos, mesmo assim, sorri.

A suas pernas, seus pés estão doendo, são horas de pé num supermercado que não a deixa sentar.

São ordens que não quer descumprir, ela depende desse trabalho para seguir em frente.

E com o tempo percebe que os produtos que colocam nas prateleiras não são os mesmos que coloca na sua mesa.

Ela quer educação, quer saúde, quer viver... e no celular vê o que lhe acolhe o coração.

É um basta..

_ Basta!!! Dizemos aos gritos nas manifestações, e quem nos ouvem???

Os que se cansaram , os que foram violentados na vida, os que lutam pelas escolas e pela sua  liberdade. Que também é minha!!!

No dia-a-a-dia quem canta de galo é quem tem dinheiro guardado no banco Master.

Defender um grupo que defendem um miliciano... lei da correspondência... 

Pobre dos pobre!!!

Quem grita contra o voto das mulheres e diz que não existe feminicídio é quem foi votada  e aplaudida.

Carrega na mão chicote, fala mal dos que  a educaram  num banco da escola...

Não me fale de meritocracia quando a largada não é justa.

Talvez o mundo te ouça de um outro ponto, e bem lá de cima existe uma Padroeira que você  talvez nem pede auxilio, mas que sente na pele a oração de quem crê.

Que por sinal, você nem se importa, afinal, no final da sua vida não precise orar e nem se importe aonde irá morrer, sim bater as botas, todo mundo inclusive você ,que acredita que é santo e faz milagres.

Pode pedir quanto for, no final das contas, as suas ideias egoístas vão carregar sua consciência.

Talvez a Santa Padroeira te perdoe por suas atrocidades pessoais, morais e sociais e vai refrescar a sua memória.

E quando se lembrar dos que não quis defender ela poderá dizer: Volta e faz melhor!!!

Mas ela, com seu olhar cândido e umedecido vai dizer para nós... os das margens esquecidas.

" Meus filhos , doces sonhos carregam em vossos corações.

Lutem dentro de vossos corações contra qualquer sentimento de raiva ou vingança.

Deixem seus corações com esperança e fé num Brasil melhor e pacífico.

Perdoem os que os oprimem porque eles desconhecem o amor puro e desprendido.

Lutem uns pelos outros diante da bandeira do amor .

Não cruzem os braços diante da maldade e nem das ideias que ferem todos os corações.

Um dia a nossa nação será uma nação acolhedora e com propósitos maiores, de um amor maior.

Se ofereça para o amor, para os que morrem de fome e de cuidados.

Não descuidem de suas crianças, e mesmo que alguns  que a quem  queiram lhe calar, silencie por um momento e dê um grito de liberdade.

A nossa nação só se despede da liberdade  por um minuto na eternidade para aprender que uma nação se constrói com todos e por todos nós.

Acreditem.... Nunca deixamos de olhar por vocês.

Confiem... Deus nos deixam errar para entendermos aonde precisamos acertar.

E que todos os seres viventes entendam o poder incomensurável do amor."

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

A literatura infantil - a narrativa maravilhosa e Paulo Freire - parte 4

 




 O mundo que vemos através de nosso olhar é sensorial, sentimos quando pisamos no chão, quando sentimos aromas, quando sentimos na pele quando a chuva arrepio nosso corpo quando toca nosso corpo, quando estamos com fome, tudo nos parece real quando sentimos que ele está em nossos cinco sentidos principais, os outros nos é acrescido quando aprimoramos o nosso lado psíquico, é quando sai das sensações mais "duras" para serem mais sentidas de maneira mais sutil, e por serem mais sutis alguns podem duvidar de sua existência.

E quando estamos imergidos numa leitura fantástica essas sensações, esses sentidos estão mais apurados porque permeia a nossa percepção mais sutil, ela chega de encontro com a mente e nos fazem sentir com a mente mais preparada para sentir o que nos é sutil, por isso , a narrativa fantástica, é realmente fantástica, não precisa acreditar no surreal para que ele exista em sua mente agora mergulhada numa leitura.

Quando lemos uma história fantástica , a imaginação cria asas, saímos do que é convencional e nos encontramos com o que a mente se encontra no momento da leitura, assim como os demais gêneros literários, mas como se trata de uma narrativa fantástica, o nosso inconsciente está mais  perceptíveis, nos colocando na história e vivenciamos com precisão.

Na literatura infantil a nossa narrativa é voltada para um público que está iniciando a sua prática na leitura, são as primeiras narrativas, e vai de encontro com suas próprias narrativas porque está criança é participativa e se envolve.

O mediador é quem apresenta a literatura, que é o mesmo que introduz a história a faz interagir, trás reflexões para que esses leitores possam se habituar a ler e a construir suas próprias narrativas, se passam a construir uma intimidade, uma ligação, portanto, a literatura vai além do que alguns esperam, não é apenas um entretenimento, é uma ação libertadora.

Escrever um livro infantil é de responsabilidade moral e social, é deixar as ideias permearem as mentes em desenvolvimento, é estar trazendo reflexões que permitem o leitor um amadurecimento no campo das ideias.

Quando canalizamos essas ideias e construímos uma narrativa para essas crianças estamos deixamos nelas a possibilidade de criar, recriar e pensar, portanto , trabalhar para essas crianças é de fato uma responsabilidade moral, porque são as histórias que as fazem pensar em suas vidas mas de maneira lúdica sem a tensão de sentirmos na obrigação de aprender algo, damos a leveza na aprendizagem.

UM DIA DE FADA, é uma história fantástica com um tema que trás leveza ao tema violência doméstica, de forma clarear o leitor aos seus próprios sentimentos , por se tratar de um tema que causa uma sensação de dor, a história contrapõe com a alegria da personagem Cila se transformar, da sua evolução moral e de sua força em poder amar, cultivar belas amizades e perdoar uma má atitude, portanto, vai além de uma simples narrativa porque nos trás sensações de pertencimento.



A narrativa fantástica  segue uma estrutura consistente, ela sempre trás pensamentos duos, o bem o mal, o bom e o mau, e sempre retrata uma mudança, um final que acompanha o alívio e as boas ações nos é aplaudida e as ruins são punidas de alguma forma, embora há dois pontos de vista, a narrativa nos coloca numa situação de escolha, aonde queremos nos encontrar.

A identidade é extremamente importante na formação dessa personalidade que faz parte desse público infantil , quando sabemos quem somos nos tornamos fortes para atingirmos os nossos objetivos, nos causa alegria ao descobrir o nosso potencial, então, a busca pelo autoconhecimento consiste no objetivo central da história e aprender a lidar com as diversidades nos coloca num degrau a diante e não nos sentimos paralisados.

Paulo Freire com sua metodologia e filosofia trás a liberdade do pensar, do criticar a si e o mundo aonde estamos, que casa perfeitamente com a literatura infantil que literalmente nos coloca num lugar de protagonistas, carregamos dentro de nós a ânsia não apenas de liberdade mas de sermos protagonistas de nossa própria história, e o letramento, não basta apenas codificar , é preciso entender e ter um pensamento crítico, afinal, todos nós temos a liberdade de escolha para aonde queremos caminhar.

Paulo Freire nos coloca de encontro com a leitura de mundo, a mesma que convivemos no dia-a-dia, e nos constrói no social e na intimidade, na narrativa maravilhosa a criança se percebe e se vê na história mesmo que esta seja uma realidade fantástica, porque esta narrativa trabalha o inconsciente e transporta para a realidade porque dentro dessa narrativa o fator emocional, a identidade da criança é o que a trás consciência de quem ela é, portanto, a criança embora tenha que trabalhar a concretização para aprender, ela é capaz de absorver o que é abstrato com muita facilidade pelo poder do imaginário, sem esse imaginário as histórias não teriam tanto sentido para ela.

Quando escrevemos temos a consciência de todas as variações que coexistem dentro de nós e é justamente porque possibilitamos essa abertura de pensamentos que trabalhamos para uma leitura autocrítica e mesmo um letramento no que propomos através da história.

Não há escrita ao acaso, ela é direcionada, porque as ideias embora sejam concretizadas através da arte da escrita e também em outras manifestações artísticas, elas habitam a mente, elas não precisam estar materialmente em livros, em obras de arte para existirem dentro de nossas mentes, dentro de nós, o que explica as tantas obras banidas de nações por medo de que essas ideias sejam propagadas, da mesma forma que ideias boas se propagam e trazem um conforto, as ideias runs, trazem propagadas são negativas e fatais, portanto, as ideias não morrem , elas nos habitam e se reproduzem.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Para viver a nossa criança interior.

 

 


Um desejo, uma chuva cobre as colinas.
Até pouco tempo, as corujas habitavam a mata, agora elas se escondem das luzes da cidade.
Ontem eu vi um sapo encostado no meu cacto que eu ganhei e replantei
Custo a acreditar que os tempos correm e no final do dia já estou pensando nas poucas horas de sono que tenho .
Mas quando eu me deito.
Permaneço refletindo sobre o tempo e percebo que o tempo é um irmão mais velho sedento para me ensinar sobre a vida.
As crianças durante o intervalo na escola esperam atenciosamente o momento de pular cordas, correr pelos cantos, elas gritam como pequenas cigarras.
E está tudo bem, as crianças merecem um momento para não ter que fingir que são soldados.
E elas brincam com a alegria que nos falta na vida adulta.
Os meninos e as meninas se misturam, não há diferenças , são todas crianças, sem aqueles preconceitos que embutidos nelas brincam porque ser criança é o despertar para a vida que vai buscando soluções para tudo.
Os pequenos animais que percebo no meu jardim são como as crianças, elas se escondem como se estivessem brincando, sorriem pelos cantos e não se incomodam com as nossas preocupações.
Elas simplesmente vencem o momento, escolhem a alegria.
Como é bom sentir o cheiro de terra molhada, contar gotas e até plantar um galho esperando que ele cresça.
A vida é um movimento rítmico que nos chama para dançar e nós nos deixamos levar, porque então os momentos pessimistas?
Esses momentos nos quebram ao meio, dividem as nossas mentes entre o que se deve ou não fazer quando estamos crescidos.
O pessimismo é uma plantinha que invade os pensamentos positivos e quando não cuidamos ele se torna uma praga, e lutamos todos os dias para que as pragas não contaminem o restante de nossos pensamentos, então, vendo as crianças crescerem retornamos a nossa fé na alegria nos desprendendo da praga que teima em nós tornar inativos.
Quando a criança interior nos abraça é hora de brincar com os nossos pensamentos, deixar entrar o desejo pelas chuvas, pelo cantar dos grilos e cigarras, pelo sapo que se esconde nos cactos.
Somos adultos que precisam brincar, de sorrir quando o mundo parece permear a loucura.
Não podemos nos esquecer do nosso próprio encanto, de fingir de super-heróis, de subir nas árvores competindo com os macacos e encontrar ninhos seguros e acolhedores.
Não sejamos adultos endurecidos e sem sonhos a serem vividos, não nos preocupemos com o dia que ainda não chegou, cultivemos a alegria de esperar o anoitecer só para procurar óvnis no céu.
Contar estrelas, fazer pedidos para a lua.
Somos bruxas, somos fadas , sereias e até unicórnios quando deixamos a fantasia chegar até nós, lembremos que podemos ser.o que precisarmos para não deixar o encanto morrer.
A criança dentro de nós , não deve morrer só porque resolvemos crescer, ela deve existir para que a tristeza não tome conta do nosso pensar, não há nada de errado em crescer com pensamentos iluminados pela nossa criança interior, ela nos salva quando um momento de dor acontece, quando a dor é maior que o nosso querer , superamos tantas coisas quando deixamos a nossa criança interior florescer sem censura.
Não importa quando outras pessoas nos impedir de brincar , de rir de nós mesmos, porque quando a nossa criança interior não está por perto, as emoções ,nos sentimentos de compaixão diminuem o pulsar do coração e endurece o coração, então, porque não olhar para o horizonte sorrindo?

terça-feira, 13 de outubro de 2026

A bruxa celebra!!!

 





 Aprendi a olhar para o céu, colher as flores frescas.

Sair de mim quando der vontade.

Meditar sobre o mundo sem censura.

E mesmo diante de qualquer problema, perseverar.

Os olhos fitam o céu, contemplam as estrelas.

Dançar a luz da lua, banhos , incensos .

As cartas escritas com os dedos manchados de tinta.

Talvez o que precisamos fazer é só enluarar.

Pisar firme no chão e brincar no mundo.

Deixar que as gotas de orvalho toquem o pó das estrelas .

Para celebrar a vida!!!

Blogs fazendo aniversário!!! Por quê ainda escrever blogs???

 




 Queridinha é um apelido de infância, um jeito carinhoso que as freiras me chamavam, eram vizinhas da minha avó paterna, me chamavam de Queridinha , era porque eu fugia da casa da minha avó para a casa delas para ouvi-las tocar piano e então o apelido pegou...

Este blog " Queridinha "surgiu em 2008, na verdade , ele surgiu antes mesmos das primeiras postagens publicadas, era para ser um diário eletrônico, textos intimistas , nada convencionais , daí surgiram os leitores, surgiram os primeiros comentários, as publicações se tornaram visíveis , e então, surgiu um outro blog, que foi criado para as mulheres da minha vida, as que se sentiam sós, as nossas conversas se alongavam através dos e-mails, e criamos laços, textos que nos traziam cumplicidade, era o blog" Clube das traídas", que se tornou referência e ainda o é, voltado para ser uma conversa entre escritora e leitores, é um pensar coletivo.

Escrever é um ato de coragem para os que não conseguem guardar todas as palavras numa mente agitada e como somos colecionadoras de ideias, então , escrevemos.

Não há segredos entre a escrita e a nossa mente agitada, apenas escolhemos o melhor jeito de dizer, o que a mente teima em nos ditar...

O maior peso do escritor é se responsabilizar pelas ideias, é ser o que diz, o que justifica e o que replica, escrever sempre será o  ato de perpetuar o que não conseguimos guardar no pensamento ,escrevente da vida.

Não vou me tornar arrogante por escrever o que a mente anseia em dizer em palavras, apenas vou codificá-las até que alguém as entenda, e mesmo que pareça muitas vezes incompreensivas, ainda sim, serão escritas, é um ato solitário, indefeso e de fato arrogante às vezes, ainda sim, é um ato para a coletividade.

Por quê escrever um blog?

A vida nos coloca pelo caminho fatos que nos leva a outros fatos e quando percebemos criamos as nossas próprias histórias e temos a necessidade de fazê-las existir em palavras, então, escrevemos.

O blog só foi um jeito de colecionar palavras, são mais de 3.000 textos, são mais do que eu esperava escrever, seria muitos papeis guardados na minha estante para eu mesma ler num momento difícil apenas para que eu  lembrar que a vida pode durar muito tempo ou pouco tempo e que eu deveria sempre ter fé no que estou prestes a viver.

Foram centenas de textos explicando uma depressão temporária, as alegrias da maternidade, e as minhas brigas comigo mesma, e até mesmo declarações para quem nunca passou pela minha vida, apenas um personagem que vagueia a minha mente avassaladora, textos nem que me lembrava de ter escrito e que hoje dou risada dos erros grotescos e que deixo aqui para me lembrar que a gente cresce...

Não podemos nos negar sermos quem somos, alguns textos de anos atrás me faz lembrar do que me fez tornar quem eu sou, alguns são mantras que repito até que surja outro, e mais outro, e por aí vai, na verdade este blog é apenas parte de quem sou, dos leitores que passaram e deixaram lindos comentários e que de vez em quando, leio, só para me recarregar dos fatos que eu nem penso em escrever.

Por quê ainda escrever blogs?

Porque a vida é uma vasta oportunidade de aprender , e aprendemos contando histórias, colecionando palavras, e dissecamos pensamentos que nem sempre conseguimos entender imediatamente, mas que nos servem de lições diárias, lemos, relemos, criamos e deixamos nos levar pelas ondas que acabam nos levando para algum outro lugar.

Escrevemos porque eu algum lugar no mundo alguém irá ler, irá se emocionar, irá apenas sentir as palavras tocando no coração, é um trabalho vaidoso, é o nosso pensamento  em alguém por aí, que em algum momento, sente e precisa, é terapia e força que nos fazem acender luzes, enfim, é viver em outros alguéns.

Escrever um livro infantil, foi uma consequência, as histórias que eu contava para meus filhos quando eram bem pequenos e que reconto nas escolas, só para sentir o sorriso e abraço das crianças, no fim das contas... eu sempre escrevo para alguém... afinal, escrever é um ato solitário para que os outros possam se sentir próximos e por fim, também sentidos.