O mundo que vemos através de nosso olhar é sensorial, sentimos quando pisamos no chão, quando sentimos aromas, quando sentimos na pele quando a chuva arrepio nosso corpo quando toca nosso corpo, quando estamos com fome, tudo nos parece real quando sentimos que ele está em nossos cinco sentidos principais, os outros nos é acrescido quando aprimoramos o nosso lado psíquico, é quando sai das sensações mais "duras" para serem mais sentidas de maneira mais sutil, e por serem mais sutis alguns podem duvidar de sua existência.
E quando estamos imergidos numa leitura fantástica essas sensações, esses sentidos estão mais apurados porque permeia a nossa percepção mais sutil, ela chega de encontro com a mente e nos fazem sentir com a mente mais preparada para sentir o que nos é sutil, por isso , a narrativa fantástica, é realmente fantástica, não precisa acreditar no surreal para que ele exista em sua mente agora mergulhada numa leitura.
Quando lemos uma história fantástica , a imaginação cria asas, saímos do que é convencional e nos encontramos com o que a mente se encontra no momento da leitura, assim como os demais gêneros literários, mas como se trata de uma narrativa fantástica, o nosso inconsciente está mais perceptíveis, nos colocando na história e vivenciamos com precisão.
Na literatura infantil a nossa narrativa é voltada para um público que está iniciando a sua prática na leitura, são as primeiras narrativas, e vai de encontro com suas próprias narrativas porque está criança é participativa e se envolve.
O mediador é quem apresenta a literatura, que é o mesmo que introduz a história a faz interagir, trás reflexões para que esses leitores possam se habituar a ler e a construir suas próprias narrativas, se passam a construir uma intimidade, uma ligação, portanto, a literatura vai além do que alguns esperam, não é apenas um entretenimento, é uma ação libertadora.
Escrever um livro infantil é de responsabilidade moral e social, é deixar as ideias permearem as mentes em desenvolvimento, é estar trazendo reflexões que permitem o leitor um amadurecimento no campo das ideias.
Quando canalizamos essas ideias e construímos uma narrativa para essas crianças estamos deixamos nelas a possibilidade de criar, recriar e pensar, portanto , trabalhar para essas crianças é de fato uma responsabilidade moral, porque são as histórias que as fazem pensar em suas vidas mas de maneira lúdica sem a tensão de sentirmos na obrigação de aprender algo, damos a leveza na aprendizagem.
UM DIA DE FADA, é uma história fantástica com um tema que trás leveza ao tema violência doméstica, de forma clarear o leitor aos seus próprios sentimentos , por se tratar de um tema que causa uma sensação de dor, a história contrapõe com a alegria da personagem Cila se transformar, da sua evolução moral e de sua força em poder amar, cultivar belas amizades e perdoar uma má atitude, portanto, vai além de uma simples narrativa porque nos trás sensações de pertencimento.
A narrativa fantástica segue uma estrutura consistente, ela sempre trás pensamentos duos, o bem o mal, o bom e o mau, e sempre retrata uma mudança, um final que acompanha o alívio e as boas ações nos é aplaudida e as ruins são punidas de alguma forma, embora há dois pontos de vista, a narrativa nos coloca numa situação de escolha, aonde queremos nos encontrar.
A identidade é extremamente importante na formação dessa personalidade que faz parte desse público infantil , quando sabemos quem somos nos tornamos fortes para atingirmos os nossos objetivos, nos causa alegria ao descobrir o nosso potencial, então, a busca pelo autoconhecimento consiste no objetivo central da história e aprender a lidar com as diversidades nos coloca num degrau a diante e não nos sentimos paralisados.
Paulo Freire com sua metodologia e filosofia trás a liberdade do pensar, do criticar a si e o mundo aonde estamos, que casa perfeitamente com a literatura infantil que literalmente nos coloca num lugar de protagonistas, carregamos dentro de nós a ânsia não apenas de liberdade mas de sermos protagonistas de nossa própria história, e o letramento, não basta apenas codificar , é preciso entender e ter um pensamento crítico, afinal, todos nós temos a liberdade de escolha para aonde queremos caminhar.
Paulo Freire nos coloca de encontro com a leitura de mundo, a mesma que convivemos no dia-a-dia, e nos constrói no social e na intimidade, na narrativa maravilhosa a criança se percebe e se vê na história mesmo que esta seja uma realidade fantástica, porque esta narrativa trabalha o inconsciente e transporta para a realidade porque dentro dessa narrativa o fator emocional, a identidade da criança é o que a trás consciência de quem ela é, portanto, a criança embora tenha que trabalhar a concretização para aprender, ela é capaz de absorver o que é abstrato com muita facilidade pelo poder do imaginário, sem esse imaginário as histórias não teriam tanto sentido para ela.
Quando escrevemos temos a consciência de todas as variações que coexistem dentro de nós e é justamente porque possibilitamos essa abertura de pensamentos que trabalhamos para uma leitura autocrítica e mesmo um letramento no que propomos através da história.
Não há escrita ao acaso, ela é direcionada, porque as ideias embora sejam concretizadas através da arte da escrita e também em outras manifestações artísticas, elas habitam a mente, elas não precisam estar materialmente em livros, em obras de arte para existirem dentro de nossas mentes, dentro de nós, o que explica as tantas obras banidas de nações por medo de que essas ideias sejam propagadas, da mesma forma que ideias boas se propagam e trazem um conforto, as ideias runs, trazem propagadas são negativas e fatais, portanto, as ideias não morrem , elas nos habitam e se reproduzem.



.jpg)


