A doce brisa toca os nossos cabelos.
Os sons que vêm das montanhas mais altos, ecoam como sinos.
O vale que abençoa os animaizinhos, está repleto de flores.
Talvez essa seja a imagem perfeita que eu quero ver e sentir depois de um tempo.
Estamos presos às coisas tão complexas que esquecemos que o que é simples que nos fazem sentir o frescor de nosso espírito.
O imediatismo atinge as crianças, adolescentes e até àqueles adultos que se acostumaram com o mundo moderno, mas a verdadeira magia da vida é a paciência de esperar o que vem de melhor.
Quando a juventude do corpo perde o vigor, quando despertamos para outras esferas percebemos que o tempo é só uma marca e que dentro de nós há um espetáculo para sentir.
O tempo pode trazer rugas, expressões em nossos corpos ou mesmo deixar ele mais debilitado, mas é em nosso ser que tudo faz sentido, é quando nos despertamos para o que realmente importa.
A vida corrida é a sensação de pertencimento , é a sensação de que estamos ativos, mas na verdade é uma outra coisa, é uma distração para o que é importante.
É preciso entender que todos nós possuímos um pensamento único, de que somos uma criação divina independente, mas que todos estamos conectados, as nossas relações estão todas juntas como uma grande teia de aranha em que todos os fios se conectam para formar uma morada, e nada escapa a ela.
Quando envelhecemos acreditamos que estamos deixando o tempo fazer o seu trabalho, mas o que realmente acontece é que estamos nos tornando maduros, acumulamos pensamentos , emoções e sentimentos para podermos vivenciar todos eles uns com os outros de forma acertada, que o envelhecer é uma desmaterialização lenta e uma partida , passaremos todas as fases, bem, é o que esperamos, a ordem natural da vida, e é essa ordem que nos trás aperfeiçoamento moral, somos na verdade apenas o que pensamos e agimos, o nosso corpo é apenas uma casinha, nosso microcosmo que devemos cuidar, só isso.
O que vivenciamos, o que aprendemos é só uma parte de quem somos, somos chamas que arde e nos conectam com o infinito que podemos definir como o criador de todos nós, o porque disso, só posso dizer que é por puro amor.
Quando eu era pequena pensava na vida como uma grande aventura, olhava para tudo mesmo sem saber o por quê eu aceitava a vida do jeito que era, hoje, acredito que eu tenha vivido para entender o que eu sinto, que o que eu faço reverbera e deixo lembranças de quem eu sou com os que caminham ao meu lado, aprendemos o que é certo e o que é errado e o que fazemos com essa informação é o que nos constrói no dia a dia, não há muitos segredos, a nossa capacidade de perceber o mundo também nos constrói internamente, carregamos impressões e as julgamos de acordo com a nossa mente, tudo é julgado por nós, mas será que isso é certo?
Como aprendemos a julgar, fazemos isso o tempo todo, olhamos para as coisas, pessoas e nos perguntamos o que faremos com isso? Se é bom o ruim para nós? É o nosso egoísmo nos falando , é que julgamos tudo sem termos empatia, e a sociedade se constrói a partir de nossas percepções, tudo é pelo nosso olhar, no fim, a teia da vida sempre está direcionando tudo a nós, mas o mais lindo disso tudo é que a força que nos atravessa é que aprendemos que devemos ter empatia, amor , paciência e respeito, nem tudo vai ser do nosso jeito e nem tudo vai ser por nós, é essa a grande beleza , nós precisamos aprender a sermos mais dóceis, sermos resilientes para envelhecermos melhor.
Como envelhecemos, ou como estamos fisicamente é apenas um detalhe tão pequeno diante da universidade, as nossas escolhas , o que nos tornamos, isso é o que realmente importa, afinal, os cremes, os exercícios físicos podem prolongar a nossa vida, mas quem sabe quando vamos morrer e como vamos morrer? Então, vivermos plenamente a vida sem nos arrancarmos a esperança e fé, é o que nos tornam mais jovens, não são os cremes caros e nem as cirurgias, exercícios, mas a nossa capacidade de viver sem a pressão , sem desespero, sem angústias, essas coisas mentais que nos envelhecem.
Porque tudo na vida responde a nós, aos nossos pensamentos, por algum tempo as coisas estão sob nosso controle , depois percebemos que na verdade não é sobre mim, ou sobre você, é sobre todos nós juntos, o que construímos é uma história de conexão, e o que amamos é o que nos ajuda a crescer e envelhecer com plenitude, no fim das contas entendemos que todos somos um e não há como mudar isso.


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