domingo, 17 de maio de 2026

O conto de Aia e o movimento Redpill. O que eles tem em comum???

 




 A série que está me fazendo pirar, sim, essa série está me fazendo pensar sobre a epidemia do machismo e das ideias retrogradas desse movimento Redpill.

O que estamos vivendo a série em carne , osso e ideologia, é impressionante como uma série mostra uma realidade cruel, as mulheres sendo desumanizadas é de perder o fôlego.

Estou na segunda temporada ainda, e claro, transpirando pensamentos sobre o feminismo, como ser indiferente a isso?

Estamos vivendo tempos difíceis para as mulheres, homens propagando ideias misóginas com naturalidade, pessoas que concordam com a condição de inferioridade das mulheres, a ideia ingrata de tirar o voto feminino, a desvalorização do magistério, o medo constante de feminicídio, enfim, o que a série mostra não é ficção, é a naturalização da crueldade contra a mulher.

Uma pergunta que me marcou profundamente: Qual das mulheres de nossa vida merece sofrer um estupro?

Essa pergunta foi feita à vários homens, a resposta? Não teve respostas, houve um silêncio gritante na alma desses homens.

É porque não imaginamos um estupro contra as pessoas que amamos, não aceitamos essa ideia, porque ao pensarmos nisso, sentimos uma grande agonia, um vazio que grita dentro de nós.

Essa semana minha filha presenciou um comentário machista e misógino em sua escola, ouviu com muita clareza um adolescente comentar sobre a cor da professora de forma racista e também sobre a colega de forma raivosa que esta nem merecia ser estuprada... Como não se indignar com essa atitude?

Conto para vocês como será a minha reação diante da diretoria da escola nesta semana.

Aonde quero chegar?

O movimento Redpill está infectando a geração Z, influenciada pelas redes sociais, pela sua má intenção de alguns influenciadores digitais, os jovens com baixa autoestima enxerga nesses influenciadores filósofos de uma geração doente, a evolução das mulheres incomoda, incomodam ao tal ponto de acreditarem que as mulheres são perigosas, como se as mulheres fossem o que os adoecem, não aceitam a rejeição, se frustram com facilidade e acreditam na superioridade masculina, e essa série retrata exatamente essa ideia, essa ideia errônea de superioridade, de uma sociedade perfeita, mas não existe sociedade perfeita, existe uma cooperação idealizada, uma ideia de igualdade, o que o feminismo vem pregando há muito tempo, mas para o mundo machista, o feminismo é um inimigo, o que não é verdade, o feminismo surgiu para ajudar as mulheres a se verem como seres valorosos, prega a igualdade e não o contrário, se pensarmos assim, sim seria uma ideia que contraria o machismo, mas não somos inimigas dos homens, então, porque nos casaríamos com eles ?

A série é a exemplificação do movimento redpill, a força física , é a punição, é o regime político com as ideias redpill, essa é a definição exata na vida moderna do que foi vivido na idade média na caça as bruxas, mulheres escravizadas por discordarem, mulheres estupradas por serem férteis, usadas como máquinas de reprodução.

Essa é a vida em O conto da Aia, uma realidade da doença moral masculina que se ajuntou há milhares de anos.

Na série tratam os homossexuais como traidores de gênero, os escravizam e os matam, não diferente de nosso mundo real, tratam as mulheres revolucionárias como inimigas de Estado, não muito diferente do Nazismo, e comparando as ideias bolsonaristas, isso não nos surpreendem não é mesmo?Espero que ninguém vá tomar detergente, pelo amor de Deus, já basta o jovem pai que está em coma por ter bebido detergente.

A origem do patriarcado é bem  fácil de entender, porque é uma história da nossa intimidade social, está encravada nos livros de história, e nossas historiadoras reconhecem a dificuldade de condicionar as mulheres a pensarem na educação de nossas crianças fora do patriarcado.

O que o movimento redpill e a série tem em comum com a série, a religião punindo a diferença, a religião repreendendo as mulheres como razão , a série é contemporânea , é o nosso século atual, mas retrata a ideia medieval , a história da mulher em tempo real. A cultura do estupro em prol à continuidade da espécie apoiada pela religião, esta é a grande questão, a religião e a política de comum acordo, o que nos aproxima ao bolsonarismo, tudo muito atualizado. 

Mas a indignação, a vontade de ir contra o sistema também é retratado brilhantemente, porque essa é a grande movimentação da série, é estarmos insatisfeitas, é algo que corrói, que nos incomodam.

A personagem central narra seus sentimentos, as memórias vão e vem explicando esse movimento ativo, não preciso mais dizer, é uma série que nos causa um desconforto muito grande tamanha semelhança com a atualidade.

Como disse estou assistindo ainda a segunda temporada há muito ainda para dizer, espero que tenham a oportunidade de verem a série, o mesmo digo da série Them, que me causou muito desconforto e terror, o que as duas tem em comum? A crueldade e a ideia discriminatória, a ideia de superioridade e a indiferença ao que sentimos enquanto sociedade.

O movimento redpill não é uma ideia nova, revolucionária, é uma ideia antiga que vem ganhando força no mundo inteiro o que trás uma ideia de perigo, será que estamos voltando à idade das trevas? Pelo menos é o que parece!!!

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